Nenhum grande logro é possível sem trabalho persistente, tão absorvente e
difícil que resta pouca energia para entregar-se à eventual angústia
provocada pela solidão ou pela rotina.
Pensemos em como Camus representa o mito de Sísifo, que fora condenado
pelos deuses a realizar um trabalho vão e sem esperança por toda a
eternidade: empurrar sem descanso uma enorme pedra até o alto de uma
montanha, de onde rolaria encosta abaixo para que o absurdo herói
mitológico descesse em seguida até o sopé e empurrasse novamente o
rochedo até o alto, e assim indefinidamente, numa repetição monótona,
solitária e interminável através dos tempos. Sísifo, um homem que amava a
vida, parece castigado a passar a eternidade dedicado a uma tarefa
inútil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário